Queda

X voava e ria descontroladamente. O vento forte provocava-lhe lágrimas frias que secavam num instante. Mal conseguia abrir os olhos e a sensação de vertigem era doce, livre e limpa. Como Ícaro, tinha tentado chegar ao topo e esta era a queda natural e anunciada. Mas já não se importava. Admirava-se sim, porque tudo fazia sentido, pelo menos desta vez. E talvez pela primeira vez.
O vôo duraria pouco mais e ele queria aproveitá-lo ao máximo. Pensou em todos os amigos, relembrou vitórias e bons momentos. Abanou a cabeça quando surgiram as coisas más. Não estava para isso, não era o momento.
O fim desta viagem chegou. Assim, tão rapidamente quanto durara a vertigem.
Puxou com força a guita e o choque foi tremendo. Sentiu o peito e os ombros a latejar, mas era uma dor positiva, de conquista. Deixou-se então navegar ao sabor do vento até que pousou suavemente.
Admirou ainda a queda do pano que se enrolava nele próprio a poucos metros de distância. Havia agora que arrumar todo o material. Até à próxima vez.

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