acordar

X acordou sobressaltado com uma ansiedade enorme. Sentiu um vazio estranho, um silêncio esmagador. Foi à janela e quase que enloqueceu com o choque. Nada existia, nada. Nenhum prédio, nenhum carro, ninguém na rua. Desceu rapidamente os seis andares esquecendo-se que tinha elevador. Chegou à entrada e abriu a pesada porta de vidro. Nada. Nem o passeio defronte, nem a confusão do bairro, nada.
Havia sim um silêncio profundo, a total ausência de qualquer coisa. De vida.
X assustou-se ainda mais quando entendeu que nem o som do seu coração ou dos seus passos se faziam ouvir. Bateu numa parede, nada. Gritou, nada. Deixou-se caír no chão de pedra mármore. Não lhe sentiu o frio. Passadas horas subiu cada um dos andares, tocando a cada porta. Mas as campaínhas não tocavam. Bater na porta não valia de nada. Chegou a casa, acendeu todas as luzes que, inacreditavelmente, davam luz. Lembrou-se da televisão, mas nada. Meteu um cd, mas a ausência de som era já esperada.
Foi para a cozinha, preparou um enorme lanche com os restos que encontrou e ficou horas a comer, olhando pela sua varanda o nada, o vazio.
Decidiu deitar-se, dormir profundamente e amanhã pensar sobre toda esta loucura.
Adormeceu rapidamente, como há muito tempo não o conseguia.
X reacordou sobressaltado com uma ansiedade enorme. Sentiu um vazio estranho, um aperto no coração. Foi à janela e quase que enloqueceu com a alegria. Tudo estava lá. O seu coração também.

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