cara metade

X subiu até ao telhado do seu prédio. Estava uma noite magnífica, estrelada, mesmo mágica e ele sabia que era agora ou nunca.
Viu a primeira estrela-cadente, mas passou demasiado longe. Uma segunda e terceira também. Mas a quarta vinha mesmo na sua direcção. X tomou balanço, saltou e conseguiu agarrar o extremo final da cauda desta estrela-cadente.
Iniciava assim a viagem que o seu pai, avô, bisavô, tetra avô tinham feito e contado aos descendentes. X ainda não tinha filho mas chegava a hora, daí esta viagem ser tão importante.
Via a sua casa a desaparecer depressa, a sua cidade transformou-se num pequeno ponto de luz igual a tantos outros que eram outras cidades de outros países e depois de outros continentes.
Subiu a pulso a cauda da estrela e montou-a como se fosse o seu dragão alado. Viu mundos paralelos em que os seus antecessores lhe disseram adeus. X retribuiu com lágrimas de felicidade, estavam todos juntos e bem.
Viajou por portas mágicas, tempos sem tempo, lugares sem espaço, sonhos nunca dormidos.
Até que a estrela-cadente lhe deu o sinal para ele a largar e deixar-se caír.
Caiu, caiu, caiu durante muito tempo, mas ia sendo amparado pelas estrelas, depois pelas nuvens e a velocidade ia diminuindo.
Começou a adivinhar o ponto de luz que era a sua cidade e foi com uma brisa forte e quente que aterrou no seu terraço.
Estava chegada a sua hora e já podia contar a história da sua família.
Só faltava agora encontrar a sua cara-metade.

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