último

X só tem um cigarro. Descuidou-se, é tarde e está um forte temporal lá fora. Se for de carro até a uma bomba sabe que não terá lugar para estacionar ao regressar. É um pesadelo.
X olha para o maço davidoff preto. Abre e fecha-o várias vezes, na esperança que exista o milagre da multiplicação. Mas não, continua lá aquele sózinho, desamparado, todo branco.
Um cigarro simples, sem cores, a contrastar com a negra caixa.
X tira-o finalmente da dita. Olha-o, pousa-o na mesa. Fá-lo rolar uma e outra vez. Tenta mantê-lo na vertical. Consegue pelo lado do filtro, mas não se aguenta pela outra extremidade.
X agarra-o com as pontas dos indicadores. Sente-o, deseja-o. Cheira-o uma e outra vez.
Coloca-o na ponta dos lábios. Imita o acto de fumar várias vezes, expelindo ar e tudo.
Decide voltar a colocá-lo na caixa. Mas é por pouco tempo.
Ao voltar a colocá-lo nos lábios, agarra no bic. Sente as suas formas arredondadas, inspecciona o mecanismo, abana-o, acende-o duas ou três vezes.
Chegou a hora!
E o pesadelo acontece: de tanto brincar com o cigarro, colocou-o na boca ao contrário e acendeu o filtro. O sabor e o cheiro são angustiantes. Impetuosamente atira-o para longe, ainda aceso. Escorrega para trás da secretária e o cheiro a queimado começa a ser notório.
Bolas! X lança-se para baixo dela. Lá estava o sacana a começar a arder um dos cabos do computador.
Filho da mãe! Com esforço conseguiu retirá-lo lá do canto e foi com uma forte e determinada pisadela que destruíu por completo… o seu último cigarro.
Tremeu.
E agora?

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