cor

O mundo tinha mudado. As cores tinham desaparecido e por muito que X vestisse a roupa mais colorida, mal saía de casa, tudo se transformava em preto e cinzento. Era estranho, mas já toda a gente se tinha habituado.
Foi num nestes dias e no meio de todo o reboliço de um Chiado cheio de gente que X viu, muito ao de leve, uma cor. Foi um choque. Decidiu segui-la para saber o que era. Foi díficil conseguir abrir caminho por tanta gente e obstáculos, mas de vez em quando lá estava o rasto da cor.
X reforçou com ganas a sua perseguição e cada vez se aproximava mais desta cor, que cada vez também era maior. De repente tudo parou. Havia alturas em que tudo e todos paravam, mesmo X. Mas desta vez, não se sabe porquê, só a cor e X se moviam e foi com rapidez que X conseguiu alcançá-la.
Por baixo de um grande sobretudo preto surgia, escondido, um bonito vestido cor de mel e turqueza. Era um vestido. Portanto era uma mulher. X olhou para cima, para o seu rosto. E ela já estava também a admirá-lo. Tirou os óculos escuros e brindou X com um magnífico sorriso colorido pelo azul dos olhos.
Todos os outros se começaram a mover ao mesmo tempo e X só teve tempo de lhe agarrar na mão e puxá-la até si.
E enquanto tudo e todos se moviam eram eles que ficaram parados. Para sempre.

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