vento

X teve um amigo que adorava duas coisas: palavras e vento. Era um eterno apaixonado pela vida, pelas iguarias, pelas tradições e romarias. Mas o que gostava mesmo era de se sentar no pico do monte mais alto para escrever palavras. Algumas soltas, outras em frases. Depois atirava as folhas ao ar e o vento encarregava-se de distribui-las por todo o lado.
Certo dia ele apaixonou-se por uma bela rapariga lá da cidade onde vivia. Como era tímido, só a seguia encantado pela sua elegância e beleza. Perguntou a X o que fazer ao que a resposta foi a única que se poderia dar: “Tens que ultrapassar essa timidez e falar com ela.” Mas ele não conseguia. Um dia, quando se cruzou com ela, ambos ficaram quietos a olhar profundamente para a a alma de cada um. Mas ele não conseguiu profrerir uma palavra e fugiu para o cimo do monte.
Passou dias a pensar no que fazer e, num repente, descobriu a solução: iria escrever mil poemas de amor, mas só um seria para ela. Se o vento os levasse para a cidade e se ela apanhasse o seu, perceberia finalmente o quanto ele estava apaixonado e viria ter consigo ao cume do monte.
Então, começou a escrever e a lançar as folhas ao vento.

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