cores

X acordou um dia e só depois de abrir os olhos percebeu que só via uma cor e as suas sombras. Foi à sala, outra sala, ao computador, à cozinha, sempre a mesma cor. Um verde que era intenso algumas vezes, noutras menos e por vezes tocava o azulado.
X foi à sua enorme varanda ver Lisboa. Toda a cidade estava colorida nestes tons.
“Que estranho”, pensou. Voltou a meter-se na cama e obrigou-se a dormir mais uma hora.
Quando reacordou estava tudo diferente, mas igual. O verde foi substítuído pelo amarelo, que desde torrado a claro, confundia-lhe as coisas e os passos. Mesmo assim, encheu-se de valentia e foi dar uma volta pela cidade. À medida que ia mudando de rua, as cores mudavam também. A sua era amarela, a de baixo azul. A praceta violeta, a avenida grande castanha.
Perguntou a quem passava se viam o mesmo que ele. Alguns chamaram-lhe louco, outros daltónico.
Mas um velhote parou. Pediu para se sentarem num banco de jardim e explicou-lhe que também ele tinha acordado assim num dia. Ouviu todas as perguntas de X e só no final falou: “Sabes, cada cor é um medo teu ou uma dúvida. Quando conseguires resolver essas coisas, todas as cores se juntarão como antes “. Levantou-se, despediu-se de X com um forte aperto de mão e prosseguiu o seu caminho.
Agora restava a X acreditar e foi para casa. Pintou uma parede de branco, depois desenhou-lhe uma quadrícula em preto. Mas ambos continuavam amarelos para ele. Em cada espaço vazio escreveu os seus problemas. E estava na hora de os ultrapassar.

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