valentia

Esta é a aventura de um homem valente. Era quem lançava os foguetes na sua terra aquando as festarolas e era considerado como um mestre na sua profissão.
Era também um perfeccionista e nunca ficava satisfeito com o resultado dos seus fogos de artifício que faziam as delícias das gentes da terreola.
Assim, decidiu fabricar os seus próprios foguetes e derivados. Deu a força de dois a cada um. A notícia espalhou-se rapidamente pela terra e todos ansiavam a próxima festa de um qualquer santo.
Chegado o dia, o homem valente chegou ao centro do povoado e tirou todo o arsenal da carroça perante exclamações entusiasmadas e muitos aplausos.
O homem valente, que agora já era considerado o mestre valente ficou inchado com tanto orgulho. A hora estava a chegar e chegou precisamente enquanto X escrevia esta linha.
O mestre valente preparou um foguete enquanto toda a terra se silenciou. Fchhhhhhhhhhhhhhhhhhiuuuuu, lá foi entre muita fumarada e barulho. Todos os olhos olhavam deliciados nos belos efeitos e cores deste super foguete.
Depois olharam para o mestre valente que se contorcia com dores horríveis, pois a sua mão direita tinha ido com o foguete. O povo horrorizado levou-o para o hospital mais próximo da terra, a uns valentes kms, onde lhe fizeram um coto bem redondo e perfeito.
Estas festas populares duram três dias e o povo estava triste por não ter mais fogo de artifício e também pelo que acontecera ao outrora mestre e agora homem valente.
E quem o viu chegar ao centro da vila e tirar com mais dificuldade o arsenal que tinha criado, nem queria acreditar. “Ainda tenho uma mão, porra!” exclamou. O povo preocupado aconselhou-o a não o fazer mas o homem era um valente.
Agarrou noutro dos seus superfoguetes, acendeu-o e pfchzzzzziiiuuuuu, lá foi. Este ainda tinha efeitos mais bonitos e cores mais fortes. Todos aplaudiam e gritavam hurras!
Mas depois da poeira assentar, o homem valente já não tinha a outra mão e chorava ferido de orgulho e dor enquanto era transportado para o hospital.
“E agora?” perguntava um aflito presidente da freguesia no último dia de festas da sua terra.
“Agora?”, respondeu o homem valente, “agora ainda tenho dois pés, raios partam!”Pediu entre os jovens um assistente e a multidão gritou “Ahhh VALENTE”.

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