raiz

Esta é a aventura de um homem que tinha muito amor aos animais. Principalmente aos seus cães, pois já ia no terceiro. Sempre da mesma raça o mais parecidos possível.
Este homem começou a ser conhecido pelos vizinhos, depois foi vendo os vizinhos a desaparecerem, uns por óbito outros para a estranja e foi cada vez ficando mais sózinho.
Muitos anos depois, já o homem tinha uma certa idade e o seu cão também.
Ninguém sabe porquê, mas ficaram de pé, um ao lado do outro, no jardim durante muito tempo.
Diz quem passou por lá que a situação não mudava, mas também não era conta de ninguém. Veio um Verão, um Outono e um longo e frio Inverno. E eles os dois sempre ali. Na mesma posição, impávidos, serenos.
Um mês depois alguém chamou as autoridades que, por acaso já sabiam deste estranho homem e do seu cão. Guiaram o jipe da GNR até lá e aproximaram-se devagarinho. Quando chegaram mesmo mesmo perto perceberam que estavam mortos. Assim, naquela posição. Parte das pernas de ambos já estava enrolada por raízes que os mantinham presos ao chão e de pé.
Os agentes não sabiam o que fazer e, após relatórios e relatórios, intervenções políticas, etc e tal, viam os anos a passar. E com eles as raízes a subirem cada vez mais.
Quando finalmente veio uma ordem de um ministro qualquer, já o homem e o cão eram vegetação. Duas árvores plenas de vida.
E assim se mantiveram.

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