perfume

Esta é a história de um homem mal cheiroso, tinhoso e antipático para a vizinhança. Resmungava em vez de dar os bons dias, andava sempre sózinho e vivia numa casa térrea que também não via limpeza há anos.
Por vezes o cheiro era tão intenso que se distribuia por toda a terreola.
Os vizinhos não sabiam o que pensar sobre o pobre coitado. Não bebia, não fumava, apenas não era limpo. Juntaram-se para ajudá-lo por uma vez. Compraram produtos de limpeza, shampôs, sabões, escova de dentes e tudo o mais e deixaram o saco à porta. Ficou lá durante dias. Até que desistiram.
Passado umas semanas, o mau cheiro parou. Toda a gente percebeu e muitos pensavam que o pobre coitado tinha ido embora.
Aliviados, foi com alegria que sentiram os odores magníficos das outras coisas, da fruta aos jardins, dos canteiros às flores.
Para comemorarem prepararam toda uma festa. E foi durante esta que alguém interrompeu o artista que cantarolava para dizer que o pobre coitado não se tinha ido embora. Estava morto há dias e dias em casa. Ao contrário de toda a gente quando morre, em vez do mau cheiro ele emanava frescura primaveril.
O choque foi geral. A tristeza também. Afinal, o homem podia ser horrível por fora, mas o seu coração era de ouro.

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