sonho

X acordou hoje à martelada. Eram precisamente oito e cinco. O pior não foram as marteladas, mas sim o terminar abrupto de um sonho em que estava particularmente a sair-se bem. Tentou ir buscá-lo, adormecendo outra vez. Houve tempos em que o conseguia. E desta vez assim foi, recomeçou no preciso momento, ou fotograma, onde tinha parado. Agora que acordou, não fazia a mínima do que estava a acontecer. E isso perturbou-o a tal ponto que nem saltou logo da cama.
Depois pensou… “e se fosse escrever para ver se o conseguia recuperar?” e aqui estava, a esforçar-se, a enervar-se. “Olha parece que é agora! Não. Bolas, que frustração.” Bebeu um café, fumou um cigarro e… e…. não. Pronto, lá teria que inventar qualquer coisa.

“X estava na sua fase de inventor. Há anos que trabalhava numa maquineta que permitia capturar os sonhos das pessoas. Tinha dois segmentos distintos, um para os sonhos outro para os pesadelos. O invento era estranho, com várias antenas que se colocavam na cabeça do dorminhoco e vários leds informavam o estado do sonho, do vermelho para o verde. Quando estivesse verde pressionava-se o botão “Rec” para gravar o sonho. O aparelho tinha outras teclas, como Play, Delete e Delete forever. Estava quase pronto mas havia um pequeno problema não técnico: só dava para quem dormisse com alguém ao lado, para esse alguém capturar os sonhos. E geralmente esse alguém também estaria a dormir. Para solteiros, então, era tarefa impossível.”
Pronto, e é assim que lá se vai um sonho. O de ficar rico com a venda do aparelho.

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