paz

X passeava no outro dia pelo maior jardim de Lisboa que curiosamente, a não ser as visitas de estudo, está sempre vazio. O jardim botânico é de uma magia singular e de uma paz avassaladora.
Num dos bancos de descanso estava um velhote sentado, enrrugado e encurvado. Na sua mão um passarinho chilreava. O velhote ia fazendo sinais com a cabeça. Nada de estranho, pensou X. Mas de repente, muitos pássaros se juntaram aos dois num estilo assembleia. X parou por uns instantes. Seria uma excelente foto, se houvesse camara. De repente, o velhote disse qualquer coisa e todos os pássaros foram embora. Era meio dia e X decidiu regressar no dia seguinte à mesma hora. Chegou um pouco atrasado, mas deu para ver os pássaros a largarem o velhote e ele a levantar-se para ir para aquilo que seria a sua vida. X no dia seguinte não falharia. Às 11h30 estava já lá. O velhote apareceu e sentou-se. O mesmo pássaro de sempre veio pousar na sua mão. Os outros depressa surgiram, mas desta vez eram muitos mais. O velhote parecia abatido e cansado. Neste dia, a reunião demorou bastante tempo mais. E outros pássaros pousaram nos ombros, na cabeça e nas pernas do velhote. Umas horas depois, ele levantou-se mas os pássaros ficaram ao pé do banco vendo-o a afastar-se. Por acaso encaminhou-se até ao banco onde X estava sentado. Parou, sorriu e disse “Jovem, já reparei que você tem boa alma pois percebeu o que se passava. Mas ainda não entendeu a verdadeira situação.” X ficou curioso, mas não abriu a boca fazendo força para que o velhote continuasse, o que aconteceu: “Jovem, estes pássaros foram os meus companheiros no final da minha vida. Amanhã escusa de vir até aqui, pois hoje foi a minha última vez.”
X Não conseguiu ficar calado e perguntou porquê. “Porque hoje vai ser o meu último dia nesta terra”. X ficou pouco à vontade. Afinal o velhote já estava senil. Ou não? Será que há qualquer coisa com os pássaros? O velhote, percebendo perfeitamente o que X pensava, disse-lhe: “Caro jovem, quando estiver nos seus últimos dias, venha até aqui conversar com os pássaros. Serão eles que o acalmarão e indicarão o caminho que deve seguir. Não falam com Deus, nada disso, mas voam mais alto que nós, têm mais liberdade que nós e sabem bem mais que nós. Há que ouvi-los.”
Com um Boa tarde, retomou o seu caminho, encurvado e cansado. Mas na sua face estava estampado um sorriso que nada nem ninguém iria conseguir tirar.

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