correntes

Num dia ventoso como o de hoje, X decide sempre ver a sua cidade numa outra perspectiva. O início da viagem terá que ser sempre num miradouro e, felizmente, existem dois ao pé da casa de X. Agarra num lençol de bom linho, vai até ao miradouro, ata-o a várias partes do seu corpo, desde os pulsos aos tornozelos e depois é só subir para o parapeito abrir os braços e deixar o vento fazer o resto.
X adora Lisboa vista do céu, é uma cidade que esconde muitos jardins interiores, muitos segredos, muitas ruelas quase secretas. É bom vê-la assim e tirar uns quantos retratos mentais.
O problema destas viagens é sempre o mesmo, a descida. Por muito que se tente retornar ao lugar da partida, as fortes correntes das sete colinas pregam-nos valentes partidas e já não é a primeira vez que X atravessa todo o rio e abraça o Cristo Rei. O caminho de volta torna-se penoso. Mas quando consegue aterrar ao pé de casa, tudo corre bem.
Ultimamente X tem visto mais pessoas com um lençol de bom linho atado ao corpo.

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