fado

X comprou uma guitarra portuguesa. Ou será portugueza devido ao tempo que tem? Acontece que X nunca soube tocar guitarra, quanto mais uma nacional. Mas tem o espírito. Encontrou uma fadista rebelde que nada percebia de fado. Era por isso que era rebelde. X, entretanto, sacou uma data de malhas de cds e mp3 de guitarra portuguesa. Grandes solos, grandes virtuosismos, grandes acordes, grandes malhas. No seu estúdio pessoal, a que chamam homestudio, gravou e editou tudo como se fossem canções. A fadista vinha ensaiar e olhava com espanto para a extrema técnica de X, ou seja um fabuloso playback que ensaiou até os dedos ficarem em ferida.
Junto dos amigos tiveram um enorme sucesso. Até que foram convidados para fazer noites numa conhecida casa de fado em Alfama.
Tudo estava sob controle, pensou X. Ligou à tomada o seu gravador digital, sentou-se na cadeira e reparou que não havia microfone para a sua fadista. Nem para a sua guitarra. Ausentou-se daquilo que chamam palco para ir falar com o técnico de som e alarmou-se pelo facto de ele lhe ter dito que era tudo a capella.
X ficou angustiado, mas não podia andar para trás. Informou a fadista das condições e preparou-se com as unhas postiças.
De repente tudo começou e X, devido a tanto ensaiar o playback na perfeição, conseguiu tocar tudo como um verdadeiro guitarrista.
A sua fadista não percebeu a diferença, nem as dezenas de convivas que aplaudiram de pé o último encore.

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