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Há um certo mupi por aí, nas vidraças das paragens de autocarro, que é um verdadeiro acto de vandalismo para quem passa. Um amigo de X já sofreu na pele e na vida as suas consequências, tendo ido para o hospital com um ataque qualquer e sido posto na rua pela mulher enciumada.
Esse mupi, ou poster, tem uma menina de bikini e faz alusão a um qualquer produto que promove a perfeição, ou seja, alimenta e faz bem e emagrece quem o escolhe.
X foi a correr ao hospital onde o amigo foi internado. Também tem um poster destes com a rapariga loura de bikini mesmo à saída de casa e, embora fique salivante, não é caso de vida ou morte.
Chegado ao hospital perguntou ao amigo, cheio de tubos e máquinas que fazem plim (alusão a um grande filme), o que se tinha passado e foi aí que K se desbroncou.
“Epá X, não sei. Ficava parado horas a olhar para a rapariga, as suas formas, a sua barriga, o seu sorriso. Fiquei apaixonado…”.
“Mas K, sabes que aquilo é uma pita torneada pelo photoshop, não?”.
K começa a chorar, dizendo que já não sabia nada desta vida. E continuou a sua história.
“Não sei se é photoshop ou não, mas numa noite destas saí de casa. estava vidrado, obcecado pela miuda. Olhei-a durante uns momentos e eis que ela me pisca o olho. Sai do papel e torna-se numa pessoa de pele e osso. Ora era de noite e estava frescote e ela de bikini. Dei-lhe o meu casaco para a proteger e ela deu-me a mão, puxando-me com o vigor que a malta nova tem.”
X estava incrédulo, mas K não era fulano de mentiras. Podia era ter sido uma ilusão devido a uma grande bebedeira, mas não. As análises que lhe fizeram no hospital indicavam que ele estava limpo de tudo, inclusivé na carteira. Pelo que K continuou a relatar, a noite foi longa, cheia de bares e discotecas e um hotel mais ou menos barato. Tinha sido uma das melhores noites da sua vida. O problema é que, quando chegou de manhã a casa, o seu casaco tinha marcas escaldantes e um perfume de pele jovem e foi aí que a sua mulher se passou. K ainda quis que ela percebesse e ainda tentou que ela fosse ver o poster, mas nesse preciso momento teve o tal ataque e caíu sem sentidos. Reacordou no hospital.
X foi para casa, mas passou pela paragem de autocarro próxima da casa de K. Da rapariga, nada, só uma silhueta a negro. Tinha mesmo acontecido.
Foi a correr para casa e espreitou a “sua” paragem de autocarro. Ela ainda estava lá. X ficou a olhá-la durante algum tempo. De repente ela piscou um olho.

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