velho

Esta é a história dramática de um homem casado. Já tinham passado 25 anos desse dia inesquecível em que alguns amigos e amigas foram vistos pela última vez.
O homem viveu mais ou menos infeliz durante este quarto de século e ainda guardava alguns presentes que lhe tinham sido oferecidos pela boda. Um deles era uma garrafa de whisky velho que ele prometeu abrir para brindar ao seu primeiro filho… que nunca chegou a nascer. A garrafa permanecia no bar da sala, daqueles de canto tipo saloon com espelhos e luzes embutidas. A garrafa estava ao centro, bem à vista e era sempre para ela que o homem olhava quando chegava cansado e descontente do mau emprego que tinha exactamente há 25 anos.
Num desses dias mais tristonhos, ficou a admirar a garrafa. A sua mulher, já desgastada pelo tempo e pela vida, passou por ele e mais uma vez exclamou qualquer coisa entre dentes tipo “ou a bebes ou a deitas fora”.
Só que nesse dia o homem não estava pelos ajustes. Olhava para o whisky cada vez mais velho e, portanto, melhor e depois comparava-o com o corpo da sua mulher cada vez mais velho e, portanto, pior.
Decidiu-se aos 25 minutos depois das oito da noite. Foi à cozinha, agarrou na faca do peixe, encontrou a sua mulher na casa de banho e matou-a. Depois, aliviado, foi até ao bar e abriu finalmente a garrafa. Bebeu o primeiro copo que lhe soube como a vida. Bebeu o segundo. Um terceiro. E quando chegou ao fim da garrafa telefonou à policia.

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