maquinetas

As memórias permitem-nos viajar no tempo e no espaço. A história deste homem é feita delas, algumas palpáveis, outras sensoriais, ainda outras mais fugazes, quase esquecidas.
Foi para elas que o homem inventou uma máquina do tempo. Não com fins históricos ou científicos, mas apenas com o propósito de reviver essas experiências para poder reguardá-las num canto obscuro da sua própria memória.
A primeira viagem correu bem. Ele apenas se lembrava de tardes soalheiras num sol ameno de Verão com o mar calmo e quente. Teve que andar 20 anos para trás para conseguir reviver essas sensações. Com mais 10 conseguiu saborear novamente iogurtes, gelados e refrigerantes da sua meninice. E a fruta? Tinha sabor e sumo, não apenas água e verniz.
Durante uns tempos compilou o que se ia lembrando, revisitando tudo e mais alguma coisa, até que chegou a hora de poder fazer isso com entes já idos e amigos desaparecidos antes do tempo. Aí teve dúvidas. Era uma possibilidade, um sonho ansiado, mas agora com a viagem ao alcance de um toque num botão, tinha dúvidas se seria a melhor coisa para si. Foram momentos demasiado cruéis para sofrê-los novamente. Decidiu não carregar no botão e continuar o que restava da sua vida.
Guardou, isso sim, todas as suas memórias para quando chegasse o seu dia, as tivesse bem frescas para mostrá-las a quem iria revisitar.
Agora só faltava inventar outra máquina que tornasse isso possível. E meteu mãos à obra.

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