crime perfeito

Esta é a aventura de um homem que tinha como objectivo idealizar e cometer o crime perfeito. Passou toda uma vida a magicar esquemas, soluções e fugas. Pensou em bancos, hospitais, caixas da fnac, veículos blindados de transporte de dinheiro e até esquadras de polícia. Só tinha uma questão: teria que cometer o crime solitariamente, pois não acreditava que algo perfeito tivesse que contar com ajuda de terceiros.
Depois de pesar os prós e contras, decidiu pedir conselhos a elementos das FP25. Descobriu que o mais mediático assalto a uma carrinha de valores tinha sido copiado de uma série britânica que passava na altura, intitulada “as viúvas”. Pensou também em inscrever-se na PJ, depois seria uma carreira como agente infiltrado e, na reforma, usaria essa rede de contactos para se transformar num padrinho. Tentou saber onde se tiravam cursos de super-vilões, visto que em Portugal não existiam, até à data, super-heróis para travá-los. Cursou química para conhecer os elementos que o ajudariam a enviar cartas com antrax e aprendeu em cinco passos como construir bombas. Pensou mesmo em tudo, mas para ser um crime perfeito, havia sempre uma ponta solta que ficaria por desvendar e vivia obcecado em encontrá-la.
Quase desistindo do seu projecto de vida, aos 50 e tal anos, sentou-se pela última vez na sua poltrona virada para a varanda de onde via a paz do rio Tejo em dias e noites de céu limpo.
Encheu o copo de whisky, acendeu o último Monte Cristo nº5 e semicerrou os olhos, concentrando-se em busca de uma última solução, de algo que se tivesse esquecido ou, melhor, nunca pensado.
De repente fez-se luz. E daquela muito luminosa, com uma lâmpada a fazer “tilt” por cima da sua cabeça.
Saiu de casa a correr e foi inscrever-se num dos dois partidos que ganham sempre as eleições. O plano era simplex… Quando fosse formado o novo governo, ele estaria à porta com boas soluções para alguns problemas. Subiria a sub-secretário de estado. Depois secretário de estado. E finalmente ministro.
Sorriu e brindou a ele próprio.
Tinha finalmente conseguido o golpe perfeito. E ninguém daria por nada e muito menos o chamaria a responder pelos crimes cometidos.

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