reacordar

Esta é a aventura de um homem que habitava um mundo que pensava só dele. Havia só esse homem, mais nenhum. E como ele não tinha a noção de outrem, vivia feliz. O dia a dia era passado entre erva e relva. Entre sol e lua. Entre planície e montanha. Falava com pombos como falava com lagartos. Caminhava o mundo e gostava de reparar sempre no que a natureza modificava sazonalmente.
Este homem, num dia qualquer de uma semana qualquer, teve uma visão: lá ao fundo, mesmo ao fundo de tudo, viu uma sombra igual à sua. Não a entendeu, pois a sombra que via todos os dias era a dele mesmo e estava sempre colada aos seus pés. Essa sombra foi desaparecendo com a luz do dia. Ele correu sempre o limite dessa luz, que lhe fugia uns centímetros cada vez mais à frente, até que as forças faltaram e deixou-a fugir.
Sabia que tinha que dormir, pois a noite assim o ordena e ele não conhecia outra verdade.
O problema era que amanhã, ao raiar da luz, nunca mais nada iria ser igual ao que tinha sido e conhecido.

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