Exposição

Esta é a aventura de um homem que durante quase toda a vida tinha tentado fazer tudo o que lhe dava na real gana. Apeteceu-lhe pintar, pintou. Apeteceu-lhe cantar, cantou. Fez filmes, escreveu histórias, gravou discos, teve 1001 profissões porque assim desejava. Foi bom em quase todas, como também as suas artes eram elogiadas por todos quantos tinham o prazer de conhecê-las.
Mas o homem tinha um problema: parecia que toda a sua força se esvaía na produção e nunca chegou a conseguir o passo seguinte, ou seja, passá-las para domínio público.
Com o tempo, as suas aventuras perderam gás, tal como ele perdia sensações, espírito e vontade.
Um dia, daqueles normais com sol e temperatura normais, saiu à rua para beber um café e comprar um maço de tabaco. Tinha passado toda a noite a escolher as melhores coisas que tinha produzido e meteu tudo numa mala bem grande e pesada. Tinha finalmente decidido mostrá-las ao mundo.
Confortado com a cafeína, parou à beira da estrada para acender um cigarro. Estava algum vento, o que o obrigou a esconder a cara com uma das mãos para tentar manter acesa a chama do seu bic. Um carro cheio de putos vinha muito depressa. Demasiado. E varreu aquele passeio.
A mala voou, abrindo-se quando se estatelou no chão. Muitos papéis voaram enquanto os putos fugiam.
O homem, antes de fechar os olhos, sorriu. Finalmente estava a mostrar a sua obra ao mundo.

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