Crise


Esta é a aventura de um homem que apanhou uma grande, enorme gripe.
Caiu na cama, envolto em papel higiénico para fazer bolinhas para o nariz estancar, termómetro para ver quando tinha febre, medicamentos fora do prazo para a tosse, garganta, catarro e… solidão.
Era nestas alturas que este homem, sempre fogoso e dinâmico, percebia que estava sozinho no dia a dia. E era também nestas horas que maldizia a vida matreira e sedutora que não o levava a lado algum, a não ser a caminho de casa numas quantas madrugadas que de preenchidas passavam a solitárias.
Farto de sofrer com mais esta forte constipana decidiu que, para a próxima vez, era ele que perseguiria a gripe e lhe pegaria o bem estar.
E assim foi! Passado uma Primavera e um Verão e chegados a um Outono estranhíssimo com chuva e frio, o homem apanhou a gripe numa ruela aberta a correntes de ar e pum!, espetou-lhe com um bem estar!
A gripe esperneou, tossiu e espirrou, mas não conseguiu fugir da teia de temperatura ideal, pulmões limpos e sem catarro, tez com cor vivaça e força muscular.
O homem sorriu e deixou-a à sua sorte, voltando-lhe as costas e despindo o chapéu, luvas e cachecol que o acompanhavam há precisamente um ano.
O tempo foi gradualmente mudando e deste Outono agreste aconteceu um Verão fora do prazo.
As pessoas ficaram contentes e felizes, os dias pareciam maiores e a luz acordava o torpor.

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